sexta-feira, 17 de junho de 2016

Mukixi Ntembu / Kitembo

história que é contada pelos antigos sacerdotes bantu, que há muito tempo atrás, as diembu bantu ( tribos bantu) lamentavam a morte de seus filhos, principalmente crianças e as mulheres grávidas sofriam sangramentos e como conseqüência, o aborto de seus filhos.
Diante da situação, o Sobá (rei) procurou o Nganga ia Ngombo (adivinhador da tribo) e pediu que ele fizesse uma consulta ao Minenge ia Ngombo (cesto de adivinhação), para saber o real motivo desses acontecimentos.
A resposta dada pelo Nganga foi que as tribos bantu estavam sofrendo uma maldição espiritual lançada por Mgungula (espíritos trevosos) e que para se livrar da maldição, as tribos deveriam prestar honras, homenagens e oferendas ao Nkisi Kitembu (Divindade da vida e da evolução) que só assim o ciclo da vida voltaria à sua normalidade.
O Sobá rapidamente, mandou que todas as tribos bantu se reunissem e fizeram uma grande oferenda e homenagens ao Nkisi Kitembu, que durou sete dias.
Após o término das homenagens para a Divindade Ntembu, da terra brotou um pó branco “MPEMBA”, que até os dias de hoje podemos ver em barrancos abertos, pela natureza ou pelas mãos dos homens.
Mpemba é o espírito do grande pai de todas as tribos bantu “Nkukua Lunga” e pegaram o pó que saia da terra e esfregaram no corpo de todas as crianças e mulheres das tribos e imediatamente ficaram livres da maldade imposta por Mgungula. Assim, os povos bantu cresceram por toda África.
Para homenagear o Nkisi Kitembu, o povo bantu levantou um mastro bem alto com uma bandeira branca na ponta, simbolizando a Mpemba, que quando balança com o vento indica a direção que o povo bantu deve seguir e ir ao encontro da felicidade.
Por isso o Mukixi Ntembu é considerado a grande Divindade dos povos bantu.

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“Mesmo que a árvore caia, se a raiz estiver viva, brotará”.

Kitembu é um Nkisse raro com poucos filhos. Associado com o Iroko iorubá é também visto como a Gameleira Branca, árvore sagrada. O sociólogo Reginaldo Prandi (Mitologia dos Orixás, 1998) afirma que o fato de ser um Nkisse das florestas fizeram com que seu culto diminuisse e contribuisse para a diminuição do número de seus filhos de santo.

Kitembo é irmão de Kafundegi, Katendê e Angorô. Segundo o Candomblé Bantu, Kitembo tem uma forte ligação com Kafundegi, sendo que os filhos de Kitembo e deste Nkisse se parecem. Os quatro são os (inquices monstros), filhos imperfeitos de Nzumbarandá (associada com Nanã dos iorubás) que foram depois recolhidos por NKaiala e encantados por Lembarenganga.

Kitembo representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Nkisis. Desrespeitar Kitembo (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue… Kitembo representa a história do Nzó (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Filhos deste Orixá são destemidos por demais e pouco amorosos, uma vez que seu elemento é o fogo. São pessoas instáveis e equlibradas, impetuosas e sensatas, frias e sonhadoras, calculistas e vulneráveis, amigos e traidores. Jamais serão subalternos, pois a instabilidade e a vulnerabilidade que rege um filho de Kitembu é a sua maior característica.

É representado por vários símbolos, sendo o mais destacado a bandeira branca presente em todas as casas de Candomblé de Angola. Esta bandeira está ligada ao tempo que os povos bantu eram nômades. Quando decidiam mudar, cultuavam ao Mukisi/Nkisi Kitembo e esperavam o vento soprar na bandeira branca para dar a direção da nova jornada. Também está ligada aos ritos de caça (a maioria dos Mukisi/Nkisi bantu caça, mesmo que por natureza não sejam caçadores).

Quando iam à caça, cada grupo se dispersava na floresta ou na savana. Para se encontrarem e não ficarem perdidos, o caçador chefe (Mutak’lamb’lunguzo/Mutak’lambô/Ngongombira), levantava a bandeira em um bambu bem alto, assim todos se reuniam e voltavam juntos para a tribo com fartura e muita alegria.
Este Nkisi está ligado ao ar, que regula a direção dos ventos, as estações do ano, as épocas do plantio e das colheitas, a reprodução animal, atuando junto das energias do sol e da lua, influenciando diretamente os dias na terra. Também está ligado ao tempo cronológico.
Kitembo é o Nkisi Rei do Candomblé de Angola. Kitembo está associado a escala do crescimento, por isso sua ferramenta é uma escada com uma lança voltada para cima, em referência ao próprio Tempo e à evolução material e espiritual. Tem muita ligação com Kavungo/Nsumbu (seu vento leva as moléstias).
Este Nkisi possui vários tipos de encantamentos que quando tratado corretamente são infalíveis na realização do atendimento dos pedidos.

Saudação: Zará Tempo; Ela Tempo; Kitembo dia banganga, talenu (vejam! a divindade do ar, atmosfera) Nzara Ndembwa – Gloria ao Tempo! Kiamboté Tat’etu Kidembu. Kiuá! Eu te saúdo nosso pai Tempo. Salve!

Elemento: Ar.

Símbolo: Gameleira branca (malemba) ou outra árvore, pois é um culto fitolátrico.

Dia da semana: Terça-feira.

Fio de contas: Branco e verde.
Roupa: Branca, verde e cinza e palhas.

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